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Edia Co.,Ltd. — Audit Report / Information 2025
Jan 16, 2026
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Audit Report / Information
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EDIA
Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, S.A.
Conselho Fiscal
Relatório e Parecer do Conselho Fiscal
Relatório de atividades do 1.º semestre de 2025
1. Introdução
No âmbito das disposições legais e estatutárias aplicáveis, em articulação com o disposto no n.º 1 do artigo 420.º do Código das Sociedades Comerciais (CSC) e na alínea i), do n.º 1, do artigo 44.º do Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de outubro, que aprovou o Regime Jurídico do Sector Público Empresarial (RJSPE), na sua atual redação, cumpre ao Conselho Fiscal (CF) emitir o presente Relatório resultante da análise, acompanhamento e controlo efetuados sobre as atividades e contas do 1.º semestre de 2025 da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, S.A. (EDIA), bem como apreciar os eventuais desvios em relação ao período homólogo de 2024 e ao Plano de Atividades e Orçamento (PAO) para 2025 (aprovado).
O PAO 2025¹ foi aprovado por Despachos, de 31 de março de 2025 e 4 de abril de 2025, respetivamente dos Secretários de Estado do Tesouro e das Finanças e da Agricultura e Pescas, nos termos e para os efeitos do disposto no RJSPE². O PAO 2025 fixa os seguintes limites para o ano em curso:
- A contratação de cinco trabalhadores, limitando a 202 o número total de trabalhadores;
- O aumento do conjunto dos gastos operacionais limitado ao valor de até 74,451 milhões de EUR; e
- A substituição de até 50 viaturas operacionais.
Este documento incide sobre a atividade desenvolvida e a execução orçamental no período em análise, tendo em conta a informação constante no Relatório de Atividades do 1.º semestre de 2025 apresentado pelo Conselho de Administração (CA), o qual, além de evidenciar a atividade desenvolvida, apresenta os desvios em relação ao PAO 2025, bem como em comparação com o período homólogo de 2024 e, ainda, a posição financeira no fim do referido período. O CF teve ainda em conta o Relatório de Revisão Limitada sobre as Demonstrações Financeiras intercalares a 30/06/2025, datado de 29 de setembro de 2025 do Revisor Oficial de Contas (ROC).
Neste contexto, efetuámos uma análise às atividades desenvolvidas no período em análise descritas no referido relatório, às demonstrações financeiras nele contidas e, ainda, à informação relativa à execução orçamental para o período em apreço.
Em termos de recursos humanos³, a EDIA contava nos seus quadros de pessoal, no final do 1.º semestre de 2025, com 197 colaboradores (incluindo cargos de direção e membros dos órgãos
¹ O PAO 2025 (2025-2027) teve parecer favorável deste CF e foi analisado pela UTAM (Relatório de Análise n.º 34/2025, de 24 de fevereiro) que concluiu que o PAO 2025 da EDIA se encontrava em condições de merecer aprovação, com as condicionantes identificadas na respetiva conclusão, tendo o Relatório de Análise sido aprovado por Despacho do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, no qual foram concedidas as autorizações legalmente necessárias, conforme previstas no referido Despacho.
² Cfr. artigo 39.º n.º 9 do RJSPE.
³ No semestre em análise, a EDIA deu cumprimento às obrigações de reporte para as entidades oficiais relativamente à área de recursos humanos, nomeadamente, à Direção Geral do Orçamento (DGO), ora Entidade Orçamental, à DGTF, ora ETF, e à Direção Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).
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sociais), entre efetivos e contratados a termo (distribuídos pelas diferentes categorias profissionais da Empresa, a saber técnicos especialistas, técnicos superiores e técnicos).
2. Atividade do Conselho Fiscal
O CF acompanhou a atividade da EDIA ao longo do período em causa, através dos contactos estabelecidos junto da Empresa e do ROC, da informação contabilística e de outra documentação interna considerada relevante.
De acordo com o acompanhamento efetuado no 1.º semestre de 2025, o CF:
- Apreciou, elaborou e aprovou o parecer sobre o PAO 2025, tendo em conta, nomeadamente, as Instruções para a Elaboração dos PAO para 2025-2027, incluindo o Plano de Investimentos, das empresas públicas, reclassificadas e não reclassificadas, do Setor Empresarial do Estado (SEE), com exclusão das entidades públicas empresariais do SNS, constantes em anexo ao email da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), de 13 de agosto de 2024, atualmente denominada Entidade do Tesouro e Finanças (ETF);
- Analisou e emitiu o respetivo relatório e parecer sobre o Relatório de Atividades do 3.º trimestre de 2024, atento o Relatório do ROC emitido sobre o mesmo;
- Apreciou e aprovou o relatório anual e parecer sobre o Relatório e Contas do Exercício de 2024 (incluindo o relatório de governo societário de 2024);
- Solicitou e obteve esclarecimentos tanto do ROC, como da Empresa, nomeadamente no âmbito da atividade desenvolvida pela Empresa no decurso do 1.º semestre de 2025; e
- Reuniu com a periodicidade adequada ao exercício das respetivas funções, tendo as decisões sido tomadas e formalizadas através de atas arquivadas na sede da Empresa, em Beja.
3. Análise da atividade desenvolvida pela Sociedade
3.1. Enquadramento
A EDIA é uma empresa pública que se rege pelo direito privado, com as especificidades dos seus Estatutos e do RJSPE.
À data de 30 de junho de 2025, o capital social da EDIA encontrava-se integralmente subscrito e realizado, ascendendo a 1.004.205.595 EUR, representado por 200.841.119 ações (a totalidade deste capital era detida pelo Estado Português, através da DGTF, ora ETF).
Refira-se que durante o 1.º semestre do ano se registou um aumento do capital social, traduzido na emissão de 986.256 novas ações, com valor nominal de 5 EUR cada, totalmente realizadas em numerário, este aumento, correspondente a um montante de 4.931.280 EUR, destinou-se a assegurar o serviço da dívida bancária referente ao período em análise.
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A Empresa encontra-se sujeita ao Código de Governo das Sociedades definido pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), por ser emitente de obrigações cotadas em bolsa. Por conseguinte, nos termos previstos no Regime Jurídico da Supervisão de Auditoria (RJSA), aprovado pela Lei n.º 148/2015, de 9 setembro, na sua atual redação, a EDIA é qualificada como entidade de interesse público (EIP) (alínea a) do artigo 3.º do RJSA).
Refere-se ainda que a EDIA integra o perímetro das Administrações Públicas para efeitos de Contas Nacionais, nos termos dos Regulamentos da União Europeia e do Sistema Europeu de Contas e Regionais (SEC 2010), sendo as suas contas consideradas para a produção de dados das contas nacionais.
A EDIA tem por finalidade a utilização do domínio público hídrico afeto ao EFMA, para fins de rega e exploração hidroelétrica, e ainda a conceção, execução e construção das infraestruturas que integram o sistema primário do EFMA, bem como a sua gestão, exploração, manutenção e conservação. Compete-lhe ainda a conceção e construção das infraestruturas que integram a rede secundária afeta ao empreendimento, em representação do Estado, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 42/2007, de 22 de fevereiro. Assinalam-se ainda as atribuições cometidas à Empresa relativas à gestão, exploração, manutenção e conservação das infraestruturas da rede secundária do EFMA, mediante contrato de concessão celebrado a 4 de janeiro de 2023 com a DGADR, em representação do Estado.
Nos termos do referido contrato, podem ser afetas à concessão outras infraestruturas que venham a ser integradas no sistema secundário do EFMA, bastando para o efeito a celebração de adendas.
Por outro lado, tal como referido em relatórios anteriores, a 13 de dezembro de 2021 foi assinada a Adenda ao outro Contrato de Concessão, o relativo à utilização dos recursos hídricos para captação de águas destinadas à rega e à produção de energia elétrica no sistema primário do EFMA, celebrado a 17 de outubro de 2007, e que teve por objeto integrar na referida concessão, as novas infraestruturas construídas ou a construir, associadas às utilizações do domínio público hídrico, nos termos previsto no n.º 3 da cláusula 6.ª do Contrato e que passam a integrar o sistema primário do Empreendimento. De notar que com aquela Adenda ao contrato de concessão da rede primária procedeu-se à integração formal da barragem do Alvito no âmbito do EFMA.
3.2 Atividade desenvolvida
No decurso deste 1.º semestre de 2025, na componente infraestrutural, mantiveram-se as atividades de investimento da EDIA que incidiram na expansão do EFMA, na melhoria do regadio existente e na instalação de centrais fotovoltaicas – enquanto alternativa energética promissora, por contribuir para a preservação do meio ambiente.
No âmbito daqueles projetos e tal como consta do Relatório de atividades, no decurso do 1.º semestre de 2025 encontravam-se em curso diversas empreitadas, destacando-se as seguintes:
☑ Empreitadas e fornecimento e instalação do reforço das estações elevatórias do Estácio, do Penedrão, de Pedrógão 1 e 3, de Pedrógão Margem Esquerda, e da Amoreira;
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✓ Empreitadas de construção (i) do circuito hidráulico (CH) de ligação ao Monte da Rocha e bloco de Messejana, (ii) CH de Reguengos de Monsaraz e bloco do Peral; (iii) de duas linhas adicionais nos sifões da ligação Álamos-Loureiro e do 1.º troço do circuito hidráulico de Reguengos de Monsaraz (tomada de água à estrada do Peral); e (iv) das centrais fotovoltaicas flutuantes das estações elevatórias de Ferreira do Alentejo, Almeidas, Pias, Penedrão e Monte Novo (EE 4) e (v) das centrais fotovoltaicas em terra de Brinches Norte, Beja, Cuba Oeste e Serpa Norte.
Foram também contratualizadas várias empreitadas, sendo de destacar as empreitadas de construção da central fotovoltaica flutuante das estações elevatórias dos Álamos, de S. Pedro e S. Matias, da Amoreira, e de construção do CH de Reguengos de Monsaraz (reservatório da Bragada ao reservatório da Furada), e da Vidigueira e respetivo bloco.
Note-se que a par com as empreitadas de construção, decorreu ainda o acompanhamento ambiental e patrimonial, assim como a gestão ambiental das obras em curso.
No que concerne à exploração, continuaram as atividades nas infraestruturas do Empreendimento de modo a assegurar que a transferência de água entre albufeiras e reservatórios continuasse a ser feita de forma eficiente, e garantir a continuidade e qualidade do abastecimento à rede secundária, perímetros confinantes e outros clientes finais.
Cabe referir que a albufeira de Alqueva atingiu a sua cota máxima de 151,97 m por duas vezes nos meses de abril e maio e a cota mínima a 19 de janeiro, com 148,03 m. Já a cota média do semestre foi de 150,67 m. No que respeita à análise consumos do EFMA, o volume total de água distribuída no 1.º semestre de 2025 foi de 100,38 hm³, o que regista um decréscimo de 47,35 hm³ face ao período homólogo, isto é, cerca de 32,05%.
Nos 25 perímetros de rega geridos pela EDIA, o volume entregue, neste período, foi de 81,68 hm³, o que, comparado mesmo período de 2024 (101,98 hm³), representa um acentuado decréscimo de 19,91%. Esta tendência de descida no consumo foi registada no reforço das albufeiras/origens de água dos perímetros confinantes e nas captações diretas, nos quais o consumo do semestre registou uma redução de 25,15 hm³ (65,16%) e de 1,90 hm³ (26,58%), respetivamente.
Também os valores das áreas inscritas registaram uma ligeira descida face ao período homólogo e atingiram os 111.947 hectares.
Visando aumentar a capacidade de distribuição de água do EFMA⁴, durante o 1.º semestre de 2025, foram desenvolvidas atividades de reforço da capacidade de oito estações elevatórias (EE) já existentes: EE do Estácio, a EE do Penedrão, EE Pedrógão 1 e 3, a EE da Amoreira, a EE Pedrógão-Margem Esquerda (ME), a EE da Lage e a EE dos Álamos (Grupo 3 e 4).
⁴ Com esta missão, durante o primeiro semestre de 2025, foram desenvolvidas ainda atividades relacionadas com os projetos do CH de ligação à albufeira do Monte da Rocha e bloco de Messejana; do CH de Reguengos de Monsaraz e blocos, do CH da Vidigueira e do bloco de Moura.
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Paralelamente às empreitadas de construção, decorreu ainda o acompanhamento ambiental e patrimonial, assim como a gestão ambiental das obras em curso.
Em 2025, a EDIA tem em curso a instalação de 9 centrais fotovoltaicas: 5 flutuantes - estações elevatórias de Ferreira do Alentejo, Almeidas, Pias, Penedrão e Monte Novo (EE 4), e 4 em terra - Brinches Norte, Beja, Cuba Oeste e Serpa Norte.
Sobre esta matéria, saliente-se que a EDIA, ao nível da produção de energia fotovoltaica no 1.º semestre do ano, registou uma produção de 1.145 MWh no total das suas centrais fotovoltaicas em produção, o que traduz um decréscimo de 857 MWh face ao semestre homólogo.
Já no que se refere aos valores de produção de energia hidroelétrica, as centrais em exploração da EDIA, produziram, até ao final de junho de 2025, 1.190 MWh, o que traduz uma diminuição de 4.899 MWh na produção face ao período homólogo.
Para a prossecução das atividades programados no âmbito da componente infraestrutural da Empresa, tiveram ainda lugar ações de planeamento geral das infraestruturas e equipamentos, com a promoção dos respetivos projetos, assim como a avaliação, negociação e aquisição de imóveis necessários à implementação das infraestruturas e equipamentos do EFMA.
De igual forma, promoveram-se estudos, projetos, programas e medidas de minimização e compensação de impactes no ambiente e no património cultural decorrentes da execução dos projetos de infraestruturas e equipamentos do EFMA.
No 1.º semestre de 2025, a EDIA foi distinguida com o Prémio Nacional de Agricultura⁵, na categoria Institucional.
Realça-se também a celebração, a 24 de março de 2025, do 30.º aniversário da EDIA, com uma ação simbólica de ligação ao território: a plantação de um bosque pelos seus colaboradores, simbolizando a memória, o futuro e o vínculo da Empresa à região.
Neste período foi também apresentado o Estudo de Avaliação do Impacto Económico de Alqueva⁶ e foi efetuada a abertura e operacionalização do Centro Alqueva, localizado junto à barragem de Alqueva, baseado num conceito interpretativo do projeto de Alqueva que vai desde o território, passando pela fase de construção das infraestruturas e ações complementares até às valências do Empreendimento e o seu contributo para o desenvolvimento regional e nacional.
4. Análise do grau de realização financeira do investimento no EFMA
O investimento realizado recentemente e previsto pela EDIA tem vindo a incidir na melhoria do regadio já existente no Empreendimento, na implementação de novas áreas de regadio e no aumento da eficiência energética, através da implantação de projetos fotovoltaicos.
⁵ Este prémio reconhece projetos que contribuem para uma agricultura inovadora e sustentável.
⁶ Este estudo analisa os efeitos estruturantes do EFMA, na economia local e nacional, destacando os benefícios gerados ao longo das diferentes fases do projeto.
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Para 2025, o investimento previsto totaliza 141.620.864 EUR, sendo que até ao final do 1.º semestre de 2025, não incluindo as capitalizações de encargos de estrutura e financeiros, aquele atingiu o montante de 28.420,94 milhares de EUR, elevando o total do investimento no EFMA, desde 1995 até ao final do período em reporte, para 2.492.807,16 milhares de EUR.
Sucintamente, os desvios na rede primária deveram-se a atrasos na execução das obras previstas, e na rede secundária, os desvios mais significativos ocorreram nos seguintes projetos (Bloco da Vidigueira; Bloco de Moura; e Blocos de Reguengos (sobretudo no bloco da Vendinha e Montoito).
5. Estrutura de Financiamento
À data de 30 de junho de 2025, a estrutura de financiamento da EDIA evidencia um total de ativo de 765,6 milhões de euros e capitais próprios de 102,6 milhões de euros, o que corresponde a um rácio de autonomia financeira de cerca de 13,4%, sendo o passivo de 662,9 milhões de euros. A composição do ativo continua a refletir, de forma muito significativa, as rubricas de “Outras contas a receber”, designadamente os montantes relacionados com a DGADR no âmbito da Rede Secundária do EFMA. Sobre esta matéria, recorda-se que o ROC mantém a reserva relativa à incerteza quanto ao processo de realização da rubrica de “Outras contas a receber” associada à DGADR (247,2 milhões de euros, no ativo corrente), por se encontrar em curso a respetivo a regularização pelo concedente Estado.
O capital social encontra-se integralmente subscrito e realizado, ascendendo a 1.004,2 milhões de euros, detido a 100% pelo Estado Português. Os capitais próprios são fortemente condicionados pelos resultados transitados negativos (-899,6 milhões de euros) e pelo resultado líquido negativo do período (-11,1 milhões de euros).
Tal como referido anteriormente, durante o 1.º semestre de 2025, foi concretizado um aumento de capital no montante de 4.931.280 euros (realizado em fevereiro de 2025), destinado a assegurar serviço da dívida. Em linha com o histórico de dotações de capital, cobertura de prejuízos e empréstimos pela ETF, a manutenção do equilíbrio financeiro da Empresa permanece intrinsecamente dependente da continuidade do referido apoio do Estado, atento o modelo económico-financeiro subjacente ao EFMA e aos investimentos em curso, o qual tem, consequentemente, impactos contabilísticos diferentes, consoante a forma de apoio adotada.
6. Endividamento
O endividamento financeiro da EDIA mantém-se enquadrado pelos limites do PAO 2025, sendo composto, maioritariamente, por financiamentos obtidos (empréstimos obrigacionistas no montante de 53,04 milhões de EUR, empréstimos concedidos da DGTF, agora ETF, no montante de 146,96 milhões de EUR e a 1.ª tranche do empréstimo do CEB no montante de 1,0 milhão de euros) e, ainda, por suprimentos concedidos no montante de 30,66 milhões de euros, pelo acionista, através da ETF. Em 30 de junho de 2025, os “Financiamentos obtidos, acionistas/sócios
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e outros" totalizam 232,98 milhões de euros, repartidos por 168,89 milhões de euros de maturidade corrente e 64,09 milhões de euros de maturidade não corrente.
Em termos de evolução face a 31 de dezembro de 2024, verifica-se uma ligeira redução do endividamento financeiro total (de 235,63 milhões de euros para 232,98 milhões de euros), explicada, essencialmente, pela amortização de 3,37 milhões de euros do empréstimo obrigacionista de 2010 e pelo efeito da transferência para passivo corrente das parcelas a liquidar até 30 de junho de 2026, parcialmente compensados pelo aumento das responsabilidades por locações (IFRS 16). No semestre, registaram-se recebimentos de 4,93 milhões de euros por realizações de capital, tendo sido efetuados pagamentos de capital (3,37 milhões de euros) e encargos financeiros (1,56 milhões de euros), assegurando-se o cumprimento do serviço da dívida relativo aos financiamentos obrigacionistas com vencimento no período.
7. Análise de Desempenho
Os principais indicadores de desempenho econômico-financeiro evidenciam, no 1.º semestre de 2025, um volume de negócios de 13,36 milhões de euros (-14,35% face ao período homólogo), um EBITDA de 0,72 milhões de euros (melhoria de 6,05 milhões de euros), um resultado operacional (EBIT) de -9,47 milhões de euros e um resultado líquido de -11,14 milhões de euros (ligeiramente inferior ao período homólogo). Regista-se, ainda, um investimento executado no semestre de 25,74 milhões de euros (8,06 milhões de euros em 30 de junho de 2024) e uma evolução positiva dos meios libertos líquidos (1,78 milhões de euros).
Rendimentos operacionais – No período em análise, as “Vendas e prestações de serviços” ascenderam a 13,36 milhões de euros, refletindo sobretudo a atividade de fornecimento de água e de energia, e os “Outros rendimentos e ganhos” totalizaram 4,21 milhões de euros. Destaca-se, igualmente, a “Variação nos inventários da produção” no montante de 4,77 milhões de euros, associada, designadamente, ao investimento em curso na rede secundária do EFMA. A evolução dos rendimentos encontra-se condicionada por fatores de atividade (nomeadamente pelo volume de água fornecida vs condições climáticas) e pelo enquadramento económico-financeiro do projeto.
Segmentos de negócio (Vendas de água e energia) – No 1.º semestre de 2025 registou-se uma redução no volume de negócios do segmento “Água”, associada a menores volumes fornecidos, bem como uma diminuição na produção/vendas de energia no âmbito do mini-hídrico, em comparação com o período homólogo. Importa sublinhar que, em resultado dos testes de imparidade efetuados ao segmento “Água”, os ativos afetos a este segmento apresentam, em grande medida, valor contabilístico líquido nulo por via do reconhecimento de perdas por imparidade acumuladas, sendo as novas adições reconhecidas com impacto nas imparidades do período.
Gastos operacionais – Os “Fornecimentos e serviços externos” totalizaram 14,75 milhões de euros, traduzindo uma redução face ao período homólogo (menos 2,83 milhões de euros),
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justificada, em particular, por uma diminuição do consumo de eletricidade em cerca de 6,45 milhões de euros, parcialmente compensada pelo acréscimo de subempreitadas associadas ao investimento da rede secundária (mais 3,46 milhões de euros) e pelo aumento dos gastos com conservação e manutenção (mais 0,19 milhões de euros). O resultado operacional foi também influenciado pelos gastos com depreciações/amortizações (3,20 milhões de euros) e, de forma relevante, pelo reconhecimento de imparidade de investimentos depreciáveis/amortizáveis (6,99 milhões de euros). Acresce referir que as provisões registaram no período um impacto líquido de 2,24 milhões de euros, decorrente, principalmente, do reforço de provisões no âmbito da IFRIC 12 e de processos judiciais em curso.
Gastos com o pessoal – Os gastos com o pessoal ascenderam a 4,58 milhões de euros, evidenciando um aumento de 0,25 milhões de euros face ao período homólogo, em linha com a evolução da estrutura de recursos humanos e dos encargos associados.
8. Execução Orçamental
Da análise aos mapas de controlo de execução orçamental, reportados a 30 de junho de 2025 e constantes do Relatório e Contas do 1.º semestre de 2025, conclui-se que o Orçamento da Despesa aprovado (incluindo alterações) ascende a 221.649.519 euros, distribuído por 78.627.344 euros em “Atividades” e 143.022.175 euros em “Projetos”, com um montante de cativos de 14.933.127 euros.
Despesa – Até ao final do período em análise, foram assumidos compromissos no montante de 56.269.121 euros, o que representa cerca de 27% da dotação corrigida líquida de cativos. Os pagamentos efetuados totalizaram 37.368.017 euros, repartidos por 19.004.329 euros em “Atividades” e 18.363.688 euros em “Projetos”. Nas “Atividades”, destacam-se pagamentos com pessoal (4.108.603 euros) e com aquisição de bens e serviços (9.486.346 euros), com particular incidência em energia (3.410.837 euros) e em conservação/manutenção (3.144.310 euros), bem como pagamentos com aquisição de serviços especializados, seguros e vigilância. Registam-se, ainda, pagamentos de 5.015.350 euros relativos ao serviço da dívida (capital e juros).
Receita – Em termos de receita cobrada até 30 de junho de 2025, o total ascendeu a 41.656.424 euros, correspondendo a 22.186.561 euros em “Atividades” (cerca de 27% da dotação corrigida) e a 19.469.863 euros em “Projetos” (cerca de 13,5% da dotação corrigida). Nas “Atividades”, destacam-se os recebimentos de distribuição de água (9.638.024 euros), produção/venda de energia (1.107.903 euros), reembolso de IVA (4.000.000 euros) e o aumento de capital (4.931.280 euros). Nos “Projetos”, relevam os recebimentos de fundos comunitários, nomeadamente do PDR (15.108.646 euros) e do PRR (106.640 euros), bem como receitas próprias associadas a prestações de serviços no âmbito do Fundo Florestal Permanente.
9. Prazo Médio de Pagamento
A EDIA manteve o cumprimento da Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso (LCPA), verificando-se que o saldo de compromissos assumidos no período se encontra devidamente
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suportado por fundos disponíveis, não tendo sido identificadas situações de assunção de encargos sem cabimento/financiamento.
O prazo médio de pagamento a fornecedores, em 30 de junho de 2025, situou-se em 57 dias, mantendo-se em níveis compatíveis com o cumprimento das obrigações de pagamento e com a regularidade da tesouraria. Refira-se que o saldo de fornecedores a 30 de junho de 2025 ascende a 5.099.987 euros, refletindo, designadamente, compromissos associados ao investimento na rede secundária e encargos com fornecimento de energia.
Este desempenho confirma um controlo financeiro adequado, em articulação com o modelo de financiamento da Empresa e com a execução do investimento em curso, devendo, ainda assim, manter-se o acompanhamento permanente da evolução da tesouraria, atento o peso dos financiamentos e a materialidade das contas a receber associadas ao Estado, conforme salientado no Relatório de Revisão Limitada do ROC.
Parecer
Face ao exposto e da análise efetuada, o CF conclui que o Relatório de Atividades do período findo a 30 de junho de 2025 expõe satisfatoriamente a atividade desenvolvida e o desempenho da Empresa no período em apreço, o qual evidencia, em particular, a consolidação da estratégia de promoção e incremento da área do regadio do EFMA a par da continuidade dos investimentos no seu alargamento, ainda que a um ritmo mais lento face ao previsto. Nele constam, também, as justificações sobre os desvios mais relevantes face ao previsto tanto no PAO 2025 aprovado, como face ao período homólogo de 2024.
Por conseguinte, o CF emite parecer favorável ao desempenho da EDIA, ressaltando a importância de manter os esforços desenvolvidos para superar os desafios já identificados.
Lisboa, 14 de novembro de 2025
O Conselho Fiscal,
Sara Simões Duarte
(Presidente)
Nelson Costa Santos
(Vogal)
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